Programa da Paróquia

sábado, 22 de janeiro de 2022

A força da Palavra que se faz História

23 de janeiro de 2022 | 3º Domingo do Tempo Comum
Leituras | Lectio (áudio) | Lectio (texto) | Comentário | Avisos | Boletim


A Palavra de Deus não é apenas um conjunto de livros escritos. Antes de mais, é o próprio acontecimento de um Deus que se revela por palavras e por gestos, de muitos modos, mas de uma forma plena e definitiva, em Jesus Cristo: é Ele a Palavra, o Verbo de Deus que se exprime através da sua humanidade. Esta revelação foi sendo vivida, acolhida, transmitida, fixada por escrito. Mas continua a fazer-se ecoar na história da humanidade. Por isso, o Concílio Vaticano II afirma, na Constituição Dei Verbum: «A sagrada Tradição e a Sagrada Escritura constituem um só depósito sagrado da palavra de Deus, confiado à Igreja» (DV 10).

São Lucas começa o texto do Evangelho recordado o seu trabalho de investigação para escrever o texto a que hoje chamamos «Evangelho segundo São Lucas»: perto do ano 80, numa época em que escasseavam já as testemunhas oculares, aqueles que viram e ouviram Jesus, o texto escrito será o “lugar” de encontro com Aquele que é o Evangelho em si mesmo, Jesus Cristo. E isso mesmo acontece na segunda parte do texto do Evangelho deste domingo. Jesus, ao ler uma passagem do livro de Isaías que descreve a ação do Messias, faz o comentário ao que acaba de ler: a salvação acontece hoje pela Palavra que é anunciada e proclamada. A Palavra de Deus é viva, eficaz, porque Jesus é essa Palavra, e Ele vai concretizar, trazer para o hoje da história, a salvação de Deus.

Hoje, esta Palavra continua viva e eficaz porque o próprio Jesus, agora ressuscitado, continua a atualizar a novidade anunciada através daqueles que sabem escutar, acolher, viver e testemunhar essa mesma Palavra, tornando-a uma realidade salvadora na sua vida e vida daqueles que os rodeiam. Hoje os cristãos são convidados precisamente a ser uma Palavra de Deus viva e eficaz, uma palavra que salva, liberta, consola, uma palavra de esperança e confiança, uma palavra de Amor.

sábado, 15 de janeiro de 2022

Celebração de São Sebastião - Casal do Relvas

 

Na quinta-feira, dia 20 de janeiro, ocorre a memória litúrgica de São Sebastião, padroeiro da comunidade do Casal do Relvas. A assinalar este data, no domingo seguinte, dia 23 de janeiro, às 16h, haverá a missa na igreja do lugar, seguida de um leilão de ofertas.

Vida com sabor a "vinho" do Reino

16 de janeiro de 2022 | 2º Domingo do Tempo Comum
Leituras | Lectio (áudio) | Lectio (texto) | Comentário | Avisos | Boletim


Maria percebe o embaraço do mestre do banquete: vai faltar vinho... Di-lo a Jesus. E, como há trinta anos, ela pede aos serventes o que o anjo lhe havia pedido a ela: «fazei o que Ele vos disser! Confiai n’Ele!» E eis que as talhas destinadas às abluções rituais da religião judaica vão servir para manifestar a plenitude do dom de Deus: em Jesus vai ser selada uma nova Aliança, com um novo rito.

No Evangelho de São João, os «milagres» são sempre «sinais» que nos lançam para além dos factos materiais. É bom olhar com atenção esta água mudada em vinho. A água é um elemento vital. Mas é, antes de mais, um elemento que se encontra na natureza. O vinho é fruto da vinha, mas também do trabalho do homem, é fabricado. A água, que é símbolo da nossa vida normal, de todos os dias, é transformada, com a força do Espírito Santo: e este vinho é melhor que o vinho dos homens…

Por este «sinal», Jesus diz-nos como quer vir ter connosco, na nossa vida quotidiana, para aí colocar a sua presença de amor. Toma a nossa vida, com as nossas alegrias, amores, conquistas, tédios, dias sem gosto e sem cor, fracassos e mesmo os nossos pecados... E aí, Ele “trabalha-nos” pelo seu amor, no segredo, para fazer brotar em nós a vida que tem o sabor do vinho do Reino. Isto, Ele cumpre-o em particular cada vez que participamos na Eucaristia.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

Tu és o meu Filho muito amado

9 de janeiro de 2022 | Festa do Batismo de Jesus
Leituras | Lectio (áudio) | Lectio (texto) | Comentário | Avisos | Boletim

Na narração do batismo de Jesus, o testemunho de Deus acerca d’Ele é acompanhado por três factos que devem ser entendidos em referência a factos e símbolos do Antigo Testamento: o céu abriu-se, o Espírito Santo desceu, e do céu fez-se ouvir uma voz.

A abertura do céu significa a união da terra e do céu: a atividade de Jesus vai reconciliar o céu e a terra, vai refazer a comunhão entre Deus e os homens. O símbolo da pomba é provável que evoque a nova criação que terá lugar a partir da atividade que Jesus vai iniciar. A voz do céu é de uma forma muito usada para expressar a opinião de Deus acerca de uma pessoa ou de um acontecimento. Essa voz declara que Jesus é o Filho de Deus; e fá-lo com uma fórmula tomada do cântico do “Servo de Jahwéh” que ouvimos na primeira leitura de hoje (Is 42,1).

O que aconteceu em Jesus aconteceu em cada um de nós. Como Cristo, fomos batizados; como a Ele, a voz do Pai nos disse: Tu és o meu filho amado, tu és a minha filha amada! Esta voz fala-nos sempre. Ela recorda-nos a nossa dignidade de filhos e de filhas de Deus, e envia-nos a gritar aos nossos irmãos: “Sois os bem-amados do Pai!” Nós que fomos enxertados no Espírito Santo, esta voz que nos diz: “Tu és o meu filho, tu és a minha filha, eu estou contigo, em ti pus toda a minha ternura!” Sejamos ternura, bondade e misericórdia para os outros.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2021

Dia Mundial da Paz 2022



MENSAGEM DO SANTO PADRE
FRANCISCO
PARA A CELEBRAÇÃO DO
55º DIA MUNDIAL DA PAZ

1º DE JANEIRO DE 2022

DIÁLOGO ENTRE GERAÇÕES, 
EDUCAÇÃO E TRABALHO:
INSTRUMENTOS PARA CONSTRUIR 
UMA PAZ DURADOURA

Acolher a Luz

2 de janeiro de 2022 | Solenidade da Epifania do Senhor
Leituras | Lectio (áudio) | Lectio (texto) | Comentário | Avisos | Boletim

«O evangelista Mateus, narrando o episódio dos Magos (cf. 2, 1-12), mostra que esta luz é o Menino de Belém, é Jesus, mesmo que a sua realeza não seja aceite por todos. Aliás, alguns a rejeitam, como Herodes. Ele é a estrela que apareceu no horizonte, o Messias esperado, aquele através de quem Deus realiza o seu reino de amor, o seu reino de justiça, o seu reino de paz. Ele nasceu não só para alguns mas para todos os homens, para todos os povos. A luz é para todos os povos, a salvação é para todos os povos.

E como se verifica esta “irradiação”? Como se difunde a luz de Cristo em todos os lugares e tempos? Tem o seu método de propagação. Não o faz através dos poderosos meios dos impérios deste mundo, que procuram sempre apoderar-se do domínio sobre ele. Não, a luz de Cristo difunde-se através da proclamação do Evangelho. A proclamação, a palavra e o testemunho. Com o mesmo “método” escolhido por Deus para vir entre nós: a encarnação, isto é, aproximar-se do outro, conhecendo-o, assumindo a sua realidade e dando o testemunho da nossa fé, cada um de nós. Só assim a luz de Cristo, que é Amor, pode resplandecer em quantos a acolherem, atraindo outros. A luz de Cristo não se propaga apenas com palavras, com métodos falsos, empresariais... Não, não! A fé, a palavra, o testemunho: assim se difunde a luz de Cristo. Cristo é a estrela, mas também nós podemos e devemos ser a estrela para os nossos irmãos e irmãs, como testemunhas dos tesouros de bondade e de infinita misericórdia que o Redentor oferece gratuitamente a todos. A luz de Cristo não se propaga por proselitismo, mas por testemunho, pela confissão da fé. Até pelo martírio!

Portanto, a condição é acolher em nós esta luz, acolhê-la cada vez mais. Ai de nós se pensarmos que a possuímos, ai de nós se pensarmos que só devemos “geri-la”! Também nós, como os Magos, somos chamados a deixar-nos sempre fascinar, atrair, guiar, iluminar e converter por Cristo: é o caminho da fé, através da oração e da contemplação das obras de Deus, que nos enche continuamente de alegria e de admiração, uma admiração sempre nova. A admiração é sempre o primeiro passo para ir em frente nesta luz.

Invoquemos a proteção de Maria sobre a Igreja universal, para que possa difundir no mundo inteiro o Evangelho de Cristo, luz de todas as nações, luz de todos os povos!»

quinta-feira, 23 de dezembro de 2021

Uma família sagrada

26 de dezembro de 2021 | Festa da Sagrada Família
Leituras | Comentário | Avisos | Boletim

Os Evangelhos falam-nos pouco da vida de Jesus em família. Temos apenas alguns poucos quadros dos primeiros anos da sua vida, entre os quais este com o qual São Lucas encerra a parte que dedica à infância de Jesus: com 12 anos, vai ao tempo de Jerusalém com os seus pais, certamente integrado num grande grupo de familiares e amigos de Nazaré que se dirigiram à cidade santa; e lá fica quando esse grupo de gente volta para a sua terra. Não seria de estranhar que Maria e José O tenham "perdido": pensavam-n'O certamente com os amigos da mesma idade naquela viagem de regresso.

Mas Lucas está mais concentrado na mensagem que quer transmitir: «Não sabíeis que Eu devia estar na casa de meu Pai?» A resposta de Jesus é uma conclusão e um pórtico: conclui os primeiros capítulos em que São Lucas apresenta o Filho de Deus nascido de Maria; abre para o que vai seguir-se: toda a vida pública de Jesus, e sobretudo a sua morte e ressurreição já anunciado neste relato. Mais tarde, de novo em Jerusalém, também em contexto pascal, Jesus será de novo abandonado, desta vez pelos discípulos, para ficar de novo três dias por encontrar, até que ao terceiro dia surgirá de novo, ressuscitado, Ele agora novo Templo, revelação plena do Pai.

Maria pode até nem entender tudo, mas guarda todos os acontecimentos no seu coração. Certamente que também José o faz. E Jesus, o Filho de Deus, encontra no seio de uma família o lugar para crescer em sabedoria, estatura e graça. Aquela família é sagrada, como o é chamada a ser cada família: lugar onde Deus vive com os homens.