Programa da Paróquia

segunda-feira, 31 de julho de 2023

Quando um encontro é capaz de transformar

6 de agosto de 2023 | Festa da Transfiguração do Senhor
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Pedro e os seus dois companheiros viram Jesus na sua glória, transfigurado, entre dois homens, Moisés e Elias, que conversavam com Ele. São Mateus não nos diz sobre o que conversavam. Mas São Lucas, diz-nos que era da sua saída do mundo, que devia cumprir-se em Jerusalém. Falavam do grande mistério da redenção dos homens pelo sacrifício de Jesus Cristo. Jesus explicava a Moisés e a Elias todo o sentido das figuras da antiga lei: a libertação do Egipto, símbolo da redenção; a imolação do cordeiro, figura da morte de Jesus; a salvação dos filhos de Israel pelo sangue do cordeiro, símbolo da redenção dos homens pelo sangue do Coração de Jesus. Jesus dizia aos dois profetas a sua alegria de ver chegar o dia do sacrifício.

Os apóstolos são mergulhados numa espécie de êxtase, julgam-se transportados ao céu. Pedro é o primeiro que manifesta o seu sentimento: "Senhor, que bom é estar aqui; façamos aqui três tendas". Pedro é humilde e desinteressado: não pensa em montar uma tenda para si. Ele não quer ser senão o servidor de Jesus. Mas não compreendeu ainda que a glória definitiva não virá senão depois da cruz e do sacrifício. Irá ainda percorrer esse caminho em que o encontro com Jesus Cristo ressuscitado o irá transformar, e a sua vida e a dos seus companheiros, será definitivamente transfigurada.

Sem esquecer a certeza da ressurreição, é preciso voltar a descer o monte, voltar ao quotidiano da vida, e, aí, sem nunca deixar de escutar a voz do Filho de Deus, percorrer com Ele o caminho da entrega generosa de nós mesmo, seguido-O no caminho do amor, no caminho da cruz: esse é o caminho da nossa própria transfiguração, para que a luz de Cristo brilhe também no nosso rosto...

quarta-feira, 26 de julho de 2023

Um tesouro no qual vale a pena apostar tudo

30 de julho de 2023 | 17.º Domingo do Tempo Comum
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A propósito das parábolas que escutamos neste domingo, diz-nos o Papa Francisco:

«Nos nossos dias, todos sabemos, a vida de algumas pessoas pode ser medíocre e monótona porque provavelmente não foram em busca de um verdadeiro tesouro: contentavam-se com coisas atraentes mas efémeras, com brilho cintilante mas ilusório porque depois deixam na escuridão. Ao contrário, a luz do Reino não é um fogo de artifício, é luz: o fogo de artifício dura apenas um instante, a luz do Reino acompanha-nos toda a vida.

«O Reino dos Céus é o oposto das coisas supérfluas que o mundo oferece, é o oposto de uma vida trivial: é um tesouro que renova a vida todos os dias e a expande para horizontes mais amplos. De facto, aqueles que encontraram este tesouro têm um coração criativo e investigador, que não repete, mas inventa, traça e segue novos caminhos, que nos levam a amar a Deus, a amar os outros, a amar verdadeiramente a nós próprios. O sinal daqueles que caminham por esta vereda do Reino é a criatividade, procurando sempre mais. E criatividade é aquela que ganha a vida e dá vida, dá, dá, dá e dá... Sempre à procura de tantas formas diferentes de dar a vida.

«Jesus, que é o tesouro escondido e a pérola de grande valor, só pode suscitar alegria, toda a alegria do mundo: a alegria de descobrir um sentido para a própria vida, a alegria de se sentir comprometido com a aventura da santidade.»

sexta-feira, 21 de julho de 2023

Festa em honra de Santa Marta 2023


 

Trigo e joio, grão de mostarda e fermento... a sabedoria das parábolas

23 de julho de 2023 | 16.º Domingo do Tempo Comum
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Jesus continua a contar parábolas, pequenas histórias com as quais fala do «Reino». O pequeno grão que se torna uma árvore, ou o pouco de fermento que leveda toda a massa, falam-nos da diferença, da desproporção entre o início e a conclusão, e apontam para a atitude de esperança que os cristãos devem cultivar, mesmo no meio de todas as contrariedades. Esperança que vem da certeza de que o «Reino» tem uma «força» transformadora que vai para além das nossas poucas forças.

Trigo e joio, crescem no mesmo campo e, contra a vontade de purificar o campo do joio, o Senhor da história sabe bem que eles crescem sempre juntos: na liberdade, dá tempo para que o «Reino» possa ir adquirindo o seu espaço... Trigo e joio que, tantas vezes, coexistem em cada um de nós, e se deparam com um Senhor que, com sabedoria e paciência, aguarda os bons frutos do campo. Trigo e joio que nos faz perceber que a comunidade do «Reino» é santa e pecadora, e que a tentação de "arrancar o joio" pode ser uma presunção de quem se acha "trigo": deixar que seja o Senhor, no fim dos tempos, a guardar ou a queimar o que lhe aprouver, no seu juízo de amor paciente e misericordioso.

sexta-feira, 14 de julho de 2023

A semente é lançada. Como é acolhida?

16 de julho de 2023 | 15.º Domingo do Tempo Comum
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A parábola do Evangelho deste Domingo põe-nos diante de um semeador quase «esbanjador»: parece não se preocupar onde cai a semente. Apenas se preocupa em lançar, lançar... E não é semente fraca: onde a terra é boa produz com abundância!

Mas também cai noutras terras: o coração endurecido onde não é capaz de entrar, o inconstante que não deixa criar raízes, o materialista que deixa sufocar a semente por outros interesses... Ou um pouco de tudo isto em conjunto. Talvez misturado com momentos de boa terra, de um coração atento, disponível, capaz de se comprometer e viver no Amor.

Uma história que nos põe facilmente do lado do «terreno» e que nos faz questionar da atitude perante a Palavra escutada: como é que ela está a ser acolhida e vivida?

sexta-feira, 7 de julho de 2023

Simplicidade, humildade, pequenez

9 de julho de 2023 | 14.º Domingo do Tempo Comum
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O texto do Evangelho deste domingo começa com uma oração de Jesus: «Eu Te bendigo, ó Pai, porque escondeste estas verdades aos sábios e inteligentes, e as revelaste aos pequeninos...» Na continuação do texto, dá-se a entender que «estas verdades» a que apenas os «pequeninos» têm acesso é o conhecimento de Deus: «ninguém conhece o Filho senão o Pai...».

Algo constante na história da revelação de Deus é a simplicidade, humildade e pequenez: Deus não escolhe revelar-se à força, mas propõe-se a quem está desperto para O acolher, sem necessidade de milagres estrondosos, mas na simplicidade de quem se dispõe a acolher, na vida, o suave peso do Amor. É nesse Amor, como Jesus o viveu, que se liberta a vida do peso e do cansaço que oprime, e se abre ao horizonte de «descanso» de uma vida boa, bela e feliz.