Programa da Paróquia

sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

"Preparai o caminho do Senhor"

5 de dezembro de 2021 | 2º Domingo de Advento
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João Baptista é uma das referências essenciais deste tempo de Advento. Quando se trata de nos prepararmos para acolher Jesus que vem, nada como voltar a escutar esta voz do deserto (e o deserto é sempre um lugar significativo da essencialidade e, por isso, do encontro com Deus). Não se trata de fazer umas «obras de fachada» para parecer bonito, mas de obras profundas, estruturais: endireitar veredas, altear vales, abater montes e colinas... Esta voz profética clama pela renovação estruturante do ser, pela capacidade de reorganizar a vida, pela conversão.

É verdade que a voz profética nem sempre é fácil de escutar. Com facilidade se arranjam rótulos: isso são coisas do passado, agora é toda a gente assim, não podemos ser retrógradas, essas coisas são muito bonitas de dizer mas não se podem viver no contexto atual... e tantas outras frases feitas, gratuitas, e talvez como uma “bela desculpa” para manter vales e montes, e tortas as vias por onde se caminha na vida.

De facto, a conversão não é apenas obra nossa, mas depende de nós a abertura ao Deus que bate à porta para que Ele em nós nos possa renovar interiormente na nossa forma de pensar, de sentir, de agir.

Neste caminho de Advento, encontramos o convite à conversão: deixar ressoar em nós esta voz, não ter mede de ousar o deserto para que se dê o encontro capaz de nos transformar. Sim, porque só o Amor é capaz de nos fazer mudar, e só entrado na relação de amor com o Amor que vem ao nosso encontro nos podemos tornar pela palavra e pela vida, presença profética neste nosso mundo de hoje.

sexta-feira, 26 de novembro de 2021

O tempo da espera e da esperança

28 de novembro de 2021 | 1º Domingo do Advento (início Ano C)
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O novo ano começa com um apelo de Jesus à esperança: erguei-vos... levantai a cabeça... tende cuidado convosco... vigiai... orai em todo o tempo... Verbos carregados da força de Deus que, fazendo-se um connosco, não deixa nunca de estar presente pelo Seu Espírito, a dar sentido ao Advento que é a vida de cada um de nós: uma espera constante da Sua vinda definitiva, quando Ele for tudo em todos.

No Natal, celebraremos a sua primeira vinda; no Advento, preparamo-nos para a última. Uma espera ativa que se faz de vigilância e oração, de estar atento (vigiar) a nós mesmos para sermos o lugar onde o humano e divino se continuam a encontrar (oração) no projeto comum do Reino. Neste caminho, cuidar constantemente de coração para que não se torne pesado por tudo quanto pode "prender-nos" noutros projetos sem Reino.

A Coroa de Advento, que somos convidados a fazer ao longo deste tempo, marca esta progressividade do encontro com a Luz, redescobrindo a presença constante de Jesus, presente na Eucaristia, que nos desafia a caminhar juntos em Igreja, numa atitude de esperança que se faz serviço.

quarta-feira, 24 de novembro de 2021

No dia dos Jovens, o encontro de quem completa 75 anos de vida


O passado domingo, dia 21 de novembro, Solenidade de Cristo Rei, celebrou-se o Dia Mundial da Juventude. O Papa Francisco alterou para este último domingo do ano litúrgico, o Dia dedicado aos jovens (que se celebrava anteriormente no Domingo de Ramos). 

Na Calvaria, os jovens uniram-se para animar a celebração da Eucaristia, na qual os nascidos em 1946 celebraram em conjunto o dom da vida, no aniversário dos seus 75 anos. Um encontro de gerações que contou ainda com a Comissão da Festa em Honra de Santa Marta, dos que celebram 50 anos de vida em 2022, que preparou a refeição para aqueles que puderam continuar, depois da celebração e procissão, no almoço convívio.


A Festa que junta aqueles que, durante o ano, celebram 75 anos de vida, começou a ser celebrada na paróquia da Calvaria em 2019. Tem sido dedicada ao Sagrado Coração de Jesus, na solenidade de Cristo Rei: centrados em Jesus, esta festa é sobretudo um grande momento de ação de graças pela vida acolhida, vivida e partilhada em família e na comunidade.

sexta-feira, 19 de novembro de 2021

Uma realeza feita serviço e entrega até ao fim

21 de novembro de 2021 | Solenidade de Cristo Rei
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É quando está subjugado, diante de Pilatos, que Jesus declara a sua realeza: «É como dizes: sou Rei. Para isso nasci e vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz».

Esta realeza de Jesus não tem nada a ver com a lógica de realeza a que o mundo está habituado. Jesus, o nosso "Rei", apresenta-Se aos homens sem qualquer ambição de poder ou de riqueza, sem o apoio dos grupos de pressão que fazem os valores e a moda, sem qualquer compromisso com as multinacionais da exploração e do lucro.

Diante dos homens, Ele apresenta-se só, indefeso, prisioneiro, armado apenas com a força do amor e da verdade. Não impõe nada: só propõe aos homens que acolham no seu coração uma lógica de amor, de serviço, de obediência a Deus e aos seus projetos, de dom da vida, de solidariedade com os pobres e marginalizados, de perdão e tolerância. É com estas “armas” que Ele vai combater o egoísmo, a autossuficiência, a injustiça, a exploração, tudo o que gera sofrimento e morte. É uma lógica desconcertante e incompreensível, à luz dos critérios que o mundo avaliza e enaltece... É nessa realeza que a Igreja, e cada cristão, é chamada a seguir os passos do Mestre.

sexta-feira, 12 de novembro de 2021

Festa dos 75 anos

21 de novembro | Solenidade de Cristo Rei


Os nascidos em 1946, que completam 75 anos neste ano de 2021, são convidados para a Festa do Sagrado Coração de Jesus, no domingo 21 de novembro, dia da solenidade de Cristo Rei.

A Festa começa com a celebração da missa às 11h, seguida do almoço de convívio. Para o almoço é necessária inscrição até 17 de novembro: 963520311; 934709381; 919448567; Loja A Prendinha.

Esperar é viver em permanente conversão

14 de novembro de 2021 | 33º domingo do Tempo Comum
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O anúncio da vinda do Senhor não afasta o crente do hoje deste mundo. Pelo contrário, exige-lhe a capacidade de assumir o presente, a terra onde vive e de a amar, e com ela aprender aquele olhar que sabe ver o brotar da vida nos ramos da figueira.

Jesus anuncia a vinda do "Filho de homem" como certa, mas o seu momento é incerto: mais que procurar adivinhar o futuro, o crente é convidado a assumir este tempo, nesta terra, espiritualmente, como uma espera que se pode converter em resistência (força nas adversidades e tribulações da história), em paciência (capacidade de viver o incompleto do quotidiano), em perseverança (recusa em fazer a apologia do pessimismo), e em fé (acreditando, com segurança e firmeza, mais no invisível de uma Palavra que não passe, do que no visível que passa).

O Evangelho deste domingo não se ocupa do "fim do mundo" mas do "fim de um mundo" onde as forças e astros, tantas vezes divinizados, são “destronados” pelo Filho do homem, o “fim de um mundo” afastado de Deus que dá lugar, pela oferta de Jesus, a uma vida envolvida na misericórdia e no amor, que nos lança num caminho de permanente conversão.

sexta-feira, 5 de novembro de 2021

Tudo o que tenho, a Ti entrego

7 de novembro de 2021 | 32º Domingo do Tempo Comum
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Quanto maior é a relação (amor) com alguém (e a relação nasce do encontro, conhecimento, diálogo, entrega e acolhimento, compromisso, persistência e fidelidade...), maior é a confiança que nos une. Assim uns com os outros, assim com Deus. «Confiança» é das palavras que melhor traduza o termo «fé»: a fé é a essencialmente a confiança que nasce da relação com Deus, só possível porque acolhemos em primeiro lugar a confiança que Deus tem em nós.

Confiar e confiar-se. É o que Jesus é capaz de perceber no gesto simples de uma viúva que deita na caixa do tesouro do Templo duas pequenas moedas. Para além do (frágil) som das moedas que caiem no tesouro, Jesus tem o olhar de Deus que vê no mais íntimo do ser daquela mulher: «ela ofereceu tudo o que tinha, tudo o que possuís para viver». Não se trata da quantidade da dádiva monetária, mas da quantidade de confiança que é depositada nesta oferta. Neste gesto podemos perceber a oração da viúva: «tudo o que tenho, a Ti te entrego: sou toda tua; nas Tuas mãos está a minha vida!». Talvez a atravessar um momento dramático, talvez no limite das suas possibilidades, talvez envolvida pela «noite», a confiança em Deus é a sua única esperança. E arrisca lançar-se.