Programa da Paróquia

sábado, 19 de dezembro de 2015

Natal de ternura e misericórdia

Mensagem de Natal de D. António Marto

No meio da agitação própria da época do Natal, nós os cristãos precisamos de um suplemento de interioridade para não reduzir o Natal a uma festa de consumo. De modo particular queremos vivê-lo em sintonia com o Ano Santo da Misericórdia.

A ternura e a misericórdia de Deus

O Natal de Jesus convida-nos a fazer uma peregrinação interior até Belém, a contemplar o mistério que hoje representamos na simbólica do presépio. Na contemplação da ternura do menino, juntamente com Maria sua mãe, descobrimos que a nossa vida pessoal e comunitária é visitada e habitada por um mistério de amor que excede toda a nossa imaginação, todas as nossas previsões e pretensões: a presença de Deus próximo na nossa carne humana, Deus de ternura e bondade, Deus misericordioso.

“Ao ver o mundo oprimido pelo temor, Deus procura continuamente chamá-lo com amor: convida-o com a sua graça, atrai-o com a sua caridade, abraça-o com o seu afeto... A força do amor não mede as possibilidades, ignora os limites. O amor não desiste perante o impossível, não desarma perante as dificuldades” (S. Pedro Crisólogo). É assim o amor misericordioso do nosso Deus. Mesmo quando nos afastamos, não deixa de nos amar, continua a estar próximo de nós com a sua misericórdia, com a sua disponibilidade a perdoar e a acolher-nos de novo e renovar-nos com o seu amor! Abramos-lhe, pois, o nosso coração!

Maria, Mãe de ternura e de misericórdia

“Na sua encarnação, o Filho de Deus convidou-nos à revolução da ternura”, lembra-nos o Papa Francisco apresentando o exemplo de Maria como “aquela que sabe transformar um curral de animais na casa de Jesus, com uns pobres paninhos e uma montanha de ternura... Sempre que olhamos para Maria voltamos a acreditar na força revolucionária da ternura e do afeto. Nela vemos que a humildade e a ternura não são virtudes dos fracos mas dos fortes, que não precisam de maltratar os outros para se sentir importantes”.

Em todo o Natal está sempre presente a Mãe para nos ajudar a reforçar os laços da ternura e do afeto que nos devem unir a todos como filhos e irmãos. Que “a doçura do seu olhar nos acompanhe neste Ano Santo para podermos todos nós redescobrir a alegria da ternura de Deus”!

Os filhos de Deus, testemunhas de ternura e de misericórdia

É preciso que os filhos de Deus tornem visível aos homens de hoje a ternura de Deus e a sua misericórdia por toda a criatura, mas particularmente pelos pobres, pelos mais frágeis, os sós, os mais desprotegidos, todos os necessitados.

A linguagem da misericórdia e da ternura é feita de atitudes, de gestos e ações concretas, capazes de criar relações calorosas de presença, de proximidade física e proximidade do coração, de partilha das alegrias e dores, de consolação dos aflitos, de perdão entre os desavindos, de fraternidade e solidariedade. Estas relações fazem parte da ecologia da vida humana saudável e feliz, que leva o Papa Francisco a afirmar: “deste modo, qualquer lugar deixa de ser um inferno e torna-se um ambiente de vida digna”. Não há Natal cristão sem esta marca!

Mesmo a nível mundial, antes ainda dos tratados políticos, a misericórdia é necessária para aplanar terrenos e endireitar caminhos, a nível económico, jurídico e político, que abram a uma convivência boa de encontro e diálogo, de entendimento e de paz entre as gentes, os povos e as culturas.

Aproveito esta oportunidade para lembrar aos diocesanos um bom modo de solidariedade e partilha com os mais necessitados neste Natal: a campanha promovida pela Caritas “10 milhões de estrelas – um gesto pela paz”. Por um euro, cada pessoa pode adquirir uma vela para acender na noite de Natal e assim esta a ajudar a dar resposta a necessidades concretas de vítimas dos conflitos no Médio Oriente e também dos mais carenciados em Portugal.

Não tenhamos medo da ternura e da misericórdia!

Santo Natal e abençoado Ano Novo 2016!

+ António Marto, Bispo de Leiria-Fátima

Convívio de Natal das crianças da Calvaria

Foi no sábado, dia 19 de dezembro, que as crianças e adolescentes da catequese do Centro da Calvaria se juntaram para um convívio de Natal.

Depois de cada grupo reunir na sua sala, todos juntos tiveram a oportunidade de recordar toda a caminhada de Advento num momento de oração mariana. Depois foi projetado um filme sobre o Natal. Por fim, os catequistas prepararam alguns bolos e sumos para um tempo de convívio.

Marcou-se assim a caminhada deste primeiro trimestre da catequese que agora terá algum tempo de intervalo. Entretanto, as crianças terão ainda a participação nas celebrações onde continuam a animar a campanha que só concluirá com a celebração da Epifania do Senhor.

Levar Deus a "visitar" o mundo

20 de dezembro de 2015 | 4º Domingo do Advento
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Ao percorrer o texto do encontro de Maria e Isabel, a nota dominante é a da alegria. Não podia deixar de ser assim, não só pelo facto de serem duas mulheres grávidas, amigas, que se encontram, com tudo o que a gravidez traz de esperança, ternura, amor, alegria… Mas também porque são aquelas mulheres: Isabel que depois de tanto pedir a Deus o dom de um filho, já em idade avançada, recebe esta graça: ei-la grávida de João, o Precursor, aquele que já no seio da sua mãe exulta de alegria pela presença d’Aquele que vai anunciar já presente no meio dos homens: Jesus, o Filho de Deus, de quem está grávida Maria, que traz em si o fruto da sua disponibilidade para acolher a palavra de Deus, e se tornar a Mãe da Palavra, o Verbo de Deus, o Deus connosco.

Maria e Isabel são nesse momento o lugar de toda a esperança, a passagem a um novo tempo, que João anunciará, e Jesus tornará já presente e atuante no mundo. Maria visita Isabel, mas é o próprio Deus que leva em visita. Deus que percorre, em Maria, os caminhos deste mundo para trazer, a quantos O reconhecem, uma vida salva, uma vida boa, bela e feliz.

O Natal é um tempo de fé, de acolhimento de Jesus, d’Aquele que nos faz experimentar a alegria de tornar a vida um lugar de beleza. É tempo de aprender com Maria a deixar-se habitar pela Palavra, e de a transportar pelo mundo fora para que «este vale de lágrimas» possa encontrar-se com uma nova esperança...

sábado, 12 de dezembro de 2015

Inauguração das obras da Residência Paroquial



No próximo domingo, dia 20 de dezembro, pelas 17h, serão inauguradas as obras da Residência Paroquial da Calvaria.

Após as obras de restauro que iniciaram no passado mês de setembro, estão a ficar concluídas as obras, e a casa está a ficar pronta para ser a residência do Pároco.

Catequista em convívio de Natal

Na passada sexta-feira, dia 11 de dezembro, os catequistas da paróquia da Calvaria tiveram um serão oração e convívio. Começou na igreja paroquial com um tempo de oração: a partir do texto da anunciação (Lc 1, 26-38), e acompanhando a reflexão da carta pastoral, viveu-se um tempo de adoração eucarística em que Maria nos conduziu até Jesus.

Seguiu-se o momento de convívio, no salão paroquial, com a partilha não apenas da mesa, mas também dos dons de cada um: houve a representação do nascimento de Jesus, jogo, anedotas... e também o "amigo secreto" com troca de prendas.

Aproximando-nos da celebração do Natal, este encontro ajuda a consolidar a fé e a amizade que a todos junta na missão comum de anunciar a Palavra de Deus na Catequese.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

O Evangelho é amor que nos empenha

13 de dezembro de 2015 | 3º Domingo do Advento
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O tema da alegria atravessa as leituras bíblicas deste terceiro domingo do Advento: alegria a que é convidada Jerusalém pela presença salvífica de Deus no seu seio (Sofonias); alegria a que são chamados os cristãos de Filipos diante do anúncio que o "Senhor está próximo" (II leitura); alegria inscrita no Evangelho, na boa notícia que João anuncia: “(João) anunciava ao povo a boa nova (euenghelízeto tòn laón)” (Lucas).

A alegria cristã, não é apenas um facto interior e não se identifica com um sentir de humores, mas está ligado a uma relação com o Senhor e tem um preço: a conversão. Converter-se significa operar uma transformação concreta na própria vida. A pergunta “o que devemos fazer?” na boca das multidões, dos publicanos, dos soldados (vv. 10.12.14), indica a diversidade de gestos concretos de conversão solicitados a pessoas que se encontram em diferentes estádios da vida.

Ao mesmo tempo os pedidos que o Batista faz a cada uma das categorias de pessoas podem ser lidas como elementos constitutivos do caminho pessoal de conversão: a partilha (v.11), o não ser pretensioso (v. 13), o não abusar, o não ser violento (v. 14). Com efeito João não indica “coisas para fazer”, mas pede a cada um que permaneça no seu estado dando espaço ao outro, respeitando o outro, acolhendo o outro e impedindo-o, em absoluto, que tenha ou exerça o poder sobre outros.

(…) João não pede gestos radicais como pedirá Jesus, não pede que deixemos tudo e o sigamos mas mostra-nos um grau imprescindível e perene da conversão, um grau muito humano e que não tem necessariamente nada de religioso. Trata-se de assumir a sua própria humanidade e a dos outros, de domesticar os apetites, de assumir os próprios limites e de ter como medida da sua liberdade a liberdade dos outros. Ser ele mesmo consentindo aos outros de serem eles próprios.

A conversão pedida por João Batista, que não se esgota em aspetos exteriores, encontra as suas raízes na relação com Aquele que vem, para purificar e para transformar (v. 17). João, na realidade não é um pregador de moral mas d'Aquele que vem. Neste sentido ele é já um evangelizador (v. 18) porque com a sua pessoa e com as suas palavras ele anuncia o Cristo que vem e, pedindo a conversão, dispõe-se a acolhê-Lo e a conhecer a salvação de Deus. De resto, o Evangelho é um dom exigente, é graça a um preço alto, é amor que nos empenha.

LUCIANO MANICARDI, in: Comunidade de Bose

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

"Preparai o caminho do Senhor..."

6 de dezembro de 2015 | 2º Domingo de Advento
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João Baptista é uma das referências essenciais deste tempo de Advento. Quando se trata de nos prepararmos para acolher Jesus que vem, nada como voltar a escutar esta voz do deserto (e o deserto é sempre um lugar significativo da essencialidade e, por isso, do encontro com Deus...). Não se trata de fazer umas «obras de fachada» para parecer bonito, mas de obras profundas, estruturais: endireitar veredas, altear vales, abater montes e colinas... Esta voz profética clama pela renovação estruturante do ser, pela capacidade de reorganizar a vida, pela conversão.

É verdade que a voz profética nem sempre é fácil de escutar... Com facilidade se arranjam rótulos: isso são coisas do passado, agora é toda a gente assim, não podemos ser retrógradas, essas coisas são muito bonitas de dizer mas não se podem viver no contexto atual... e tantas outras frases feitas, gratuitas, e como uma bela desculpa para manter vales e montes, e tortas as vias por onde se caminha na vida. De facto, a conversão não é apenas obra nossa, mas depende de nós a abertura ao Deus que bate à porta para que Ele em nós nos possa renovar interiormente na nossa forma de pensar, de sentir, de agir...

Neste caminho de Advento, encontramos o convite à conversão: deixar ressoar em nós esta voz, não ter mede de ousar o deserto para que se dê o encontro capaz de nos transformar. Sim, porque só o Amor é capaz de nos fazer mudar, e só entrado na relação de amor com o Amor que vem ao nosso encontro (e a esta relação chamamos fé que levou também Maria a dispor-se a ser a Mãe do Filho de Deus) nos podemos tornar pela palavra e pela vida, presença profética neste nosso mundo de hoje.